terça-feira, 16 de abril de 2013

EXPOSIÇÃO DE ABRIL/MAIO 2013


        Entre os dias 13 a 19 de maio ocorrerá a 11ª Semana Nacional dos Museus, promovida anualmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) em comemoração ao Dia Internacional de Museus, celebrado no dia 18 de maio, com o tema Museus (memória + criatividade = mudança social), que foi proposto pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), associa dois conceitos que têm caracterizado o setor museal nos últimos anos. Criado em 1977 pelo ICOM, o Dia Internacional dos Museus tem como objetivo sensibilizar o público sobre o papel dos museus no desenvolvimento da sociedade. 


      Por conta disto, o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso (MAS-MT), dentro da proposta da 11° Semana Nacional de Museus, disponibilizará aos seus visitantes três exposições: A primeira intitulada “Catedral Do Senhor Bom Jesus De Cuiabá: Uma Viagem Ao Passado” a segunda “Ilustre Morador: Dom Aquino Corrêa” e por fim a exposição do artista regional “Clínio Moura”. Além das exposições o MASMT promoverá uma sessão cinema disponibilizando o filme “A Invenção de Hugo Cabret”.



CATEDRAL DO SENHOR BOM JESUS DE CUIABÁ: UMA VIAGEM AO PASSADO

       
A Catedral Basílica Bom Senhor Jesus de Cuiabá, outrora Igreja do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, fora construída de pau-a-pique e coberta de palha no ano de 1722, pelo capitão-mor Jacinto Barbosa Lopes, após Miguel Sutil ter descoberto ouro no córrego da Prainha no mesmo ano. Feita sobre um altiplano e com a frente voltada para o córrego da Prainha, o templo é uma homenagem ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá, padroeiro da atual cidade de Cuiabá. Entre 1739 e 1740 o prédio fora reconstruído em taipa de pilão pelo padre João Caetano. Ao longo dos anos sua estrutura sofreu algumas alterações. Dentre elas o levantamento de uma nova Capela Mor na Igreja Matriz em 1740. Quinze anos mais tarde houve a elevação da primeira torre, porém esta veio a ruir e em 1771, frei José de Nossa Senhora da Conceição obteve sucesso ao edificar a torre, na qual fora acrescentado um relógio no ano de 1842 e após vinte e nove anos os sinos foram adicionados. Todavia a Catedral Basílica Bom Senhor Jesus de Cuiabá foi implodida em 14 de agosto de 1968 e em seu lugar fora construído um templo novo, de concreto armado e inaugurado em 24 de maio de 1973.
     
Na exposição da “Catedral do Senhor Bom Jesus De Cuiabá: Uma Viagem Ao Passado” será apresentada um pouco da história desta igreja até a época em que foi demolida. Para tal fim, serão expostas peças que fizeram parte da arquitetura da igreja como o relógio da torre ligado ao sino e uma das cruzes que ficava no alto da igreja, bem como um banco arca, objetos litúrgicos, fotos e imaginárias que se localizavam nela. O propósito desta exposição será levar os visitantes a uma viagem ao passado da Catedral antes de sua demolição. As peças que estarão em exposição são o relógio e a Cruz de ferro que estavam localizados na parte central da antiga Catedral entre as duas torres. O relógio passou por limpeza e montagem e está disposto em estrutura confeccionada especificamente para acondicionar de forma em que o visitante possa ver seu visor e engrenagens. Composto por um maquinário de ferro, pêndulo e dois pesos laterais, sino em bronze, relógio de ponteiros com vitrais em branco e por fim a placa de identificação da fábrica “Vitalino Michelini/Fabricante Relojoeiro/S. Paulo – Brasil”. 

 Já a Cruz foi concebida através da arte de fundir e forjar o ferro por ferreiro forjador. A peça em metal fundida em ferro tinha a finalidade de ornamentar o centro das duas torres, dando uma maior beleza e longevidade à peça que ficava na fachada externa da igreja.  A cruz possui forma trevolada, feita a quente e a frio, suas partes são unidas através de cravos e rebites, possui um resplendor raionado de cobre. 
     
 As peças da imaginária em destaque são a de “São Miguel Arcanjo” e do “Sagrado Coração de Jesus”

       O primeiro apresenta-se em figura masculina, alado em trajes militares e posto sobre pedestal que parece nuvem nas cores azul, branco e dourado. Figura arcanjo no auge de sua juventude vestindo armadura azul, com figura de ramos de oliveiras flanqueando uma flor de margarida ao centro. A imagem veste ainda sob a armadura, uma túnica longa, de tom azul claro com forro verde, que o cobre até a altura do joelho, calça botas vermelhas, semelhante às cáligas romanas, um manto vermelho com frisos em dourado, ondulado e preso a suas costas de forma a sugerir uma capa que cai até seus pés. Por último, completando a indumentária militar, trás um elmo azul na cabeça, decorado com desenhos em dourado que repetem as escamas da armadura e a figura da flor-de-lis em cada lado e arrematado por plumas em vermelho com detalhes em dourado. São Miguel Arcanjo é um “arcanjo de diversas doutrinas religiosas, “Miguel” significa “aquele que é similar a Deus”, na Bíblia é mencionado no livro de “Daniel” como príncipe que defende as crianças, sendo o anjo intermediário entre Deus e os homens. Já no “Novo testamento” aparece como líder e protetor do exército de Deus contra as forças do “mal”. A 
palavra “Arcanjo” tem como significado “líder dos mensageiros”, “primeiro anjo”, “anjo superior” entre outros.

         A segunda peça é em estilo barroco, representando um homem em pé, com feição serena; cabelos longos, barba espessa na mesma tonalidade e olhos castanhos voltados para baixo. Traja túnica clara, talhada de forma a sugerir movimento, decorado por frisos em dourado. Veste ainda sobre a túnica um manto vermelho com forro bege, decorado por motivos florais, pequenos círculos e diversas estrelas. O manto o envolve por todo o corpo. A imaginária figura o “Sagrado Coração de Jesus”, com o braço direito estendido a frente e lavando a mão esquerda rente ao coração flamejante, pigmentado em vermelho decorado por um resplendor raionado com uma pequena cruz. Por fim calça sandálias de tira em relevo e apresenta as marcas da crucificação em suas mãos.









ILUSTRE MORADOR: DOM AQUINO CORRÊA 


         
No dia 2 de abril de 1885, nascia em Cuiabá o homem que entraria para a história política, cultural e religiosa do Estado de Mato Grosso: Francisco Tomás de Aquino Corrêa (Cuiabá/1885 - São Paulo/1956), mais conhecido como Dom Aquino. Ele foi o bispo mais novo do mundo aos 29 anos de idade, membro da Academia Brasileira de Letras e fundador da Academia Mato-grossense de Letras, além de ter sido eleito, aos 32 anos de idade, governador do Estado. Para comemorar o aniversário de Dom Aquino, o MASMT fará uma exposição das fotografias de Dom Aquino com personalidades das décadas de 30, 40 e 50, objetos pessoais, mobiliário, documentos pessoais, livros, vestuários e peças que foram usadas por ele em celebrações litúrgicas.

          Dom Aquino, ao ser consagrado Arcebispo de Cuiabá em 1922, transferiu a residência episcopal para o prédio do Seminário Nossa Senhora da Conceição (que abriga o Museu de Arte Sacra desde a década de 80), onde residiu durante 34 anos o prédio abrigou ainda o Instituto Histórico, Centro de Letras da Província e a redação do Jornal a Cruz. Mesmo com Dom Aquino residindo no prédio, o lugar continuou a ser um estabelecimento de ensino.

         Por conta do aniversário de Dom Aquino, o Museu de Arte Sacra organizou a exposição “Ilustre Morador: Dom Aquino”, que conta a sua história como sacerdote, governador e escritor.

           Dom Aquino tinha domínio na tribuna pública em absoluto. Era admirado não só como orador sacro, mas também como grande realizador de atividades culturais e também possuiu alma de artista. Autor de inúmeras e notáveis cartas pastorais, de discursos, trabalhos históricos e poesias, publicou “Odes”, o seu primeiro livro de versos, em 1917, “A Fronteira de Mato Grosso com Goiás”, “Cartas Pastorais”, “Uma flor do Clero Cuiabano”, “Nova et Vetera.”, “Terra Natal”, onde reuniu poemas de exaltação a Mato Grosso e ao Brasil, cheios de suave lirismo e fascínio pelo seu torrão. Foi poeta em quatro línguas: a nossa, o latim, o italiano e o francês. Mais tarde deu a público alguns trabalhos em prosa. Um dos seus poemas, “Canção
Mato-grossense" foi oficializado através do Decreto n° 208, de 05 de setembro de 1983, o Hino de Mato Grosso, musicado pelo maestro e tenente da Polícia Militar Emílio Heine. A "Canção Mato-grossense" foi cantada em público pela primeira vez durante a cerimônia principal das comemorações do bicentenário de fundação de Cuiabá em 8 de abril de 1919.

           O público que visitar o Museu durante a exposição terá oportunidade de ver a tela de Dom Aquino pintada em técnica aquarela com moldura em formato oval de madeira talhada do retratista “Rosales” – São Paulo. A obra mostra Dom Aquino vestido um “Roquete”, “Crucifixo” dourado e sobre sua cabeça um “Solidéu”. 

        Em destaque também se encontra a cama pertencente a Dom Aquino, conhecida como “Catre”, talhada em madeira com cavilhas e tecido. Na parte superior possui um suporte utilizado para colocar mosqueteiro.



CLÍNIO MOURA

        O artista popular Clínio Moura (Várzea Grande, 1928 – Cuiabá, 2008) aprendeu os rudimentos de cerâmica por meio de sua esposa Dona Biuína e de sua sogra, Dona Isabel Juliana, na época em que morou na comunidade de São Gonçalo.

Desde quando começou a moldar a argila, Clínio desenvolveu uma expressão diferente daquela praticada pelas mulheres, que se dedicavam centenariamente à produção de vasilha utilitária, entre potes, panelas e moringas. Clínio moldava figuras, como santos, animais, personagens, individuais e em grupos, inspirados no universo ribeirinho. Grupos de violeiros, cururueiros e casais dançando são exemplos de sua arte. 
           
 A exposição de Arte Popular reúne 15 esculturas de Santos em argila sobre óleo, dentre as quais a imagem de São Gonçalo do Amarante, santo violeiro e padroeiro da comunidade de São Gonçalo Beira Rio um local peculiar, onde o artesanato parece brotar, em seus artistas que carregam a essência da sabedoria popular.

         Sua devoção era tudo que o cercava. Talvez por isso suas esculturas religiosas agradem tanto aos olhares, pois vão de encontro com os princípios catequéticos e litúrgicos. Suas Imagens de São Benedito, Francisco de Assis, Nossa Senhora de Santana, Nossa Sra. Aparecida, apresentam técnicas de modelagem à mão, com camada pictórica em tinta a óleo. Seu Clínio moldou na argila o cotidiano daquela localidade, seus costumes, sua crença, carregando de significados suas peças, que se destacam pela originalidade de seus traços em vários tamanhos.

         Uma das principais peças do Sr. Clínio Moura que está em exposição é a imagem que representa “São Gonçalo”, que é o padroeiro da comunidade onde vivia. Apresentando-se com vestimenta nas cores verde e laranja, chapéu e sapatos em preto e um capa verde com forro laranja preso na altura do pescoço, a imagem
está sempre com um violão, conhecido como o protetor dos violeiros, das mulheres e ainda há lendas de que pode auxiliar em arranjar casamentos.

           A outra peça em é a imagem de "Sant’Ana". Representada por Clínio Moura como uma mulher adulta de olhar firme e sereno, sentada em um trono, como vestimenta longa na cor branca, manto em azul e detalhes em dourado, com um pequeno livro em sua mão esquerda e a outra sobre a cabeça da criança em pé ao seu lado com sua vestimenta nas mesmas características, sobre a cabeça da mulher está posto uma “coroa” em que se percebe que é muito parecido com um “cocar” indígena, caracterizando a influencia regional do artista. Conhecida como Sant’Ana a mãe de Maria e conseqüentemente avó de Jesus, sua história é destacada por ser uma mulher de idade avançada que não havia tido filho ainda, seu marido conhecido por “São Joaquim” foi para o deserto fazer penitencia e Deus ouviu as suas preces, assim após seu retorno Sant’Ana engravidou da futura Mãe de Jesus. 


AMOSTRA DE FILMES

       
O MAS-MT também exibirá o filme A Invenção de Hugo Cabret do diretor Martin Scorsese (duração de 2h e 07min) com indicação a partir de 9 anos. É um filme de aventura e mistério, baseado no livro homônimo de Brian Selznick.

        O filme se passa em Paris nos anos 30. Hugo Cabret é um órfão que vive escondido nas paredes da estação de trem. Ele guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu pai. Um dia, ao fugir do inspetor, ele conhece Isabelle, uma jovem com quem faz amizade. Logo Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração, exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô. O robô volta então a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um enigmático mistério. 

Posteriormente ocorrerá uma roda de conversa para apreensão da mensagem transmitida pelos filme e a visita guiada pela exposição do MASMT.

         O objetivo da exibição do filme é evidenciar a importância da historia e memória acerca de um objeto, além de seu propósito e razão de existência. Contudo a proposta também ressalta o espaço especializado (museu) nos cuidados e preservação dos bens matérias e imateriais.



CONTATOS

MUSEU DE ARTE SACRA

 Quando? 15 de Abril a 31 de maio
Onde? Museu de Arte Sacra de Mato Grosso
Horários: 13h às 19h de segunda à sexta – feira.
Agendamentos pelo Tel.: 65 3028-6285 
Agendamentos escolares: de Segunda a Sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h agendar com Tulasi ou Jaqueline.
Facebook: Museu de Arte Sacra de Mato Grosso
Endereço: Avenida Clovis Hugney, Praça do Seminário, n° 239, Prédio Seminário N.Sra. da Conceição, 2º Piso, Bairro: Dom Aquino - Cuiabá- MT.

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